O circo

Publicado: 2 de novembro de 2010 por Leandro Possadagua em Uncategorized

*Ambrósio

O circo acabou. As personagens não buscam o
divertimento, o riso ou a alegria. Elas buscam quase desesperadamente, através
do consumo, o conforto. Não há motivos para rir. O riso é apenas um espasmo.
É preciso acreditar em uma nova forma de salvação.
Deus não está morto, nunca nasceu.

O palhaço perdeu seu emprego. Nós estamos perdendo os nossos.
É obrigação de o palhaço receber nossa arrogância.
O palhaço não é engraçado. Cabe ao palhaço engolir nossa fúria.
Daremos uma festa para um palhaço que não foi convidado.
Já não nos importa a felicidade, importa apenas parecermos felizes.

Dividimos o mesmo espaço. Estamos no mesmo barco, que sabidamente afunda. Só
nos resta uma boa poltrona para que possamos, de forma confortável, aguardar
que as águas nos libertem. Não para uma nova, ou melhor, existência, mas, para
vida nenhuma. O palhaço enfia a cabeça no balde e a mantém submersa por cinco
minutos. A água não mais purifica, apenas abafa o mundo. As personagens restam
apenas lembranças.

Vagas, imprecisas, que não se compartilham.

*Pseudônimo de um grande amigo que é amante da literatura, e sobretudo, da liberdade!

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