Os quadrinhos e a Guerra da Gália.

Publicado: 4 de novembro de 2010 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Arthur Simonaio*

As guerras da Gália são narradas por Julio César em De Bello Gallico. Nele contém toda uma trajetória de grandes vitórias sobre os povos “bárbaros” e narra-se a conquista de Roma sobre os povos gauleses. Durante a guerra, Vercingétorix irá surgir como o principal líder que vai ter a difícil tarefa de derrotar o invasor.

Vercingétorix irá surgir, posteriormente, como um defensor de uma causa territorial, o que fará dele um herói nacional. Em 54 a.c, César inicia sua conquista sobre as tribos gaulesas, e em 52 a.c, a batalha termina com a rendição de Vercingétorix. A narrativa de César sobre a guerra das Gálias mostra uma Roma invencível e um adversário completamente desorganizado.

A romanização na Gália fez com que os gauleses enfrentassem as tropas de César. A guerra despertou o sentimento nacionalista e Vercingétorix é considerado um líder que se transformou em uma identidade nacional francesa. Até em tempo atuais há homenagens a esse que por muitos anos lutou contra os romanos e não teve sua imagem abalada pela derrota, sendo sim guerreiro. Com isso, o povo francês se vê descendente dos bravos gauleses.

Neste contexto que Goscinny e Uderzo criaram Asterix e Obelix para narrar à conquista da Gália e mostrar uma tribo que não se rende facilmente e tendo como aliada uma poção que lhes dá uma grande força feita pelo druida da tribo.

Na coleção Uma aventura de Asterix o Gaulês vemos uma sátira ao império romano, mais precisamente com a conquista da Gália por Julio César. Na revista “O Combate dos Chefes” a tribo gaulesa está em perigo já que o druida Panoramix perdeu a memória. No acampamento de Babaorum, o conselheiro Flagelus, aconselha seu líder romano, a fazer um combate dos chefes, em que o ganhador terá todo o direito sobre a tribo do perdedor. O interessante da sátira é que para este duelo não se busca um romano, mas sim um gaulo-romano representado por Tomix, um gaulês a serviço de Cesar.

A cena nos chama a atenção pelo fato de que o combate dos chefes não podia ser percebido como um plano romano para a conquista da tribo de Abracurcix, então o gaulês “conquistado” é colocado a serviço de Roma, para a luta.

Como vemos na coleção do “Asterix e Obelix” sempre temos uma sátira ao Império Romano, na revista aparece sempre uma Roma “fraca” que precisa da ajuda dos seus subordinados para conseguiram conquistar outros povos, contradizendo assim as conquistas da Gália, escrita pelo próprio Cesar.

*Acadêmico do curso de história na Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP.

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