Saudades das poças de água da infância

Publicado: 18 de novembro de 2010 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Viviana Bengelsdorff*

Hoje, conversando via telefone com a maninha Esperança, ela referiu-se a um comentário deixado no meu blogue por um novo leitor de apelido Possadágua. Eu disse-lhe: Olha, gosto do nome Possadágua! Acho muito bonito! Os que me conhecem mais de perto sabem o quanto eu aprecio a água, a chuva, os ribeiros, os rios, o mar, etc.etc.

De imediato, ela, que leva três anos á minha frente, suspirou e disse: “Ai Viviana! Que saudades das poças de água da nossa infância! Lembras-te de como nós, com os pés descalços, não perdíamos a oportunidade de atravessar as poças fazendo salpicar a água para tudo quanto era lado! Ás vezes, aí, era mais o nosso irmão, que leva três anos atrás de mim, que vinha de lá a correr e dava um salto para dentro da poça divertindo-se imenso a nos molhar-nos! Lembro-me de andar á chuva com a água a escorrer pelas tranças que caíam sobre as costas…

Estávamos nós nesta nostalgia das poças de água, quando a maninha Esperança disse: “Há quanto tempo eu não vejo uma poça de água!” Ela mora há mais de quarenta anos no centro da cidade de Lisboa. Eu disse-lhe: Olha, eu por aqui como há campo, bosques e matas e a minha querida Ribeira das Jardas…vejo poças com frequência, só que já não meto os pés descalços dentro delas! Consolo-me em vê-las, em olhá-las.
Pois é, disse eu, aí em Lisboa impermeabilizaram de tal maneira o chão que não há mesmo hipóptese de haver poças de água.Foi quando ela disse: “É isso, construiram a cidade de tal maneira, que o que há são inundações que transformam as ruas em rios…mal chove um pouco demais.

É verdade, disse eu. Não era melhor haver “bocadinhos” de chão de terra, onde se formassem as poças, iguais ás da nossa infância?

* Enfermeira aposentada, cristã e uma Blogueira excepcional! Uma Cora Coralina na terra de Camões!

Em tempo: Gostaria de agradecer à amiga portuguesa Viviana Bengelsdorff por citar meu nome em seu texto. Fato que muito me honra! Conheci esta adorável senhora numa noite em que a tristeza e a saudade de meu pai me castigavam. Como não conseguia dormir, lembrei do poema humildade de Cora Coralina e, como não me lembrava dele por completo, resolvi procurá-lo na internet. O encontrei num Blog intitulado Olhaí os lírios do campo que é de autoria da querida Viviana, após meu comentário em sua página, começamos uma amizade bonita e sincera através da internet. Sua amizade tem me feito lembrar o quanto tenho deixado a vida escapar por entre os dedos! Obrigado Viviana Bengelsdorff…

Acesse: http://olhaioliriodocampo.blogspot.com/

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comentários
  1. viviana Bengelsdorff disse:

    Leandro, meu bom amigo

    Passa pouco das seis da manhã e eu estou a começar o meu dia.

    Como ontem não o pude fazer, decidi vir hoje cedinho visitar o seu “Cantinho”, e, sem mais, assim, de chofre, estou perante este seu significativo gesto, para o qual eu não encontro em mim palavras para o definir, classificar…tal é o meu sentir neste momento.

    Uma coisa é certa, Deus está a usá-lo para me abençoar, para me alegrar, para me encorajar, para me fazer sorrir…mas, também para meditar, para reflectir, para avaliar a minha caminhada e pesá-lae medi-la, á luz do Evangelho que, ditosamente, me foi transmitido por palavras e ensino, mas também por exemplo vivo daqueles que a quem Deus me entregou para serem os meus queridos e amados pais.

    Estou a viver tempos admiráveis, em que o Senhor me surpreende cada manhã com a prova da sua presença constante, em mim, sob a forma de acontecimenos pequenos (?) e grandes que me maravilham , me fazem sorrir e me empurram para a fente, num momento em que fisicamente, o meu corpo vai perdendo capacidades dia a dia, mercê de uma artrite psoriática.

    A forma com o Leandro surgiu enquadra-se perfeitamente no que acabo de escrever, foi mais um presentinho de Deus para mim.

    A palavra que me ocorre é, OBRIGADA!

    A Deus e a si.

    Orarei por si, para que o Senhor o use, o abençoe, e faça tão feliz quanto me me tem feito a mim.
    Sabe, a vida pode ser uma aventura maravilhosa e extraordinária, quando decidimos aceitar o Senhor Jesus como nosso Salvador pessoal e caminhamos de mão dada com Deus cada dia da nossa peregirnação aqui.

    Desejo-lhe um lindo dia

    Um grande abraço

    viviana

    • Oi minha amiga Viviana Bengesdorff!

      Por favor, não me agradeça! Não pode imaginar o tamnaha da minha felicidade ao ler este seu texto. Foi uma grande honra ter meu nome citado em um texto seu!

      Fico feliz em saber que tenho dado alguma contribuição à sua felicidade. Mesmo que a distância, tens me feito pensar muitas coisas e tens sido motivo de alegria no meu coração!

      Agora, quanto as suas capacidades física não se preocupe! Muita gente na minha idade já sofre de uma artrite na alma, que lhe impede de ser doce e de partilhar o amor ao seu próximo. Pessoas como você nenhuma doença pode parar, estão para além de tudo isso. Espero que esta sua artrite não lhe roube a alegria e motivação de viver e produzir o bem, o cristianismo que transborda em tí. E… como disse, sua artrite não pode incapacitar sua alma, portanto, nada pode fazer a você.

      Espero que continue com esta alegria… Sei que és um exemplo pra muitas pessoas que se acham desmotivadas e cansadas. Hoje é muito raro encontrar pessoas na sua idade que tem este ânimo de viver! Por isso me cativas querida. Por esta sua doce maneira de ver a vida.

      Um grande beijo!

      Leandro Possadagua

      “No dia do juízo, Deus pode reduzir-te a lágrimas de vergonha.
      Recitando de cor os poemas que poderias ter escrito,
      Se sua vida tivesse sido boa!”
      W.H. Auden

  2. viviana Bengelsdorff disse:

    Olá! Leandro, meu amigo

    Agradeço o seu comentário.

    Também gostei do pensamento que teve a gentileza de aqui deixar.

    Fiz questão de lê-lo ao Jorge (meu marido) e ao Zé (filho mais novo – 28 anos que vive connosco) eles apreciaram.

    No dia 18, deixei-lhe alguns dados sobre Rio Tinto, terra do seu avô, no seguimento do seu comentário no post do Sr.Adeus.
    Como, creio que o Leandro não acedeu a esta informação, deci trazê-la para aqui, bem assim como o comentário.

    Desejo-lhe um boa semana

    O meu abraço

    viviana

    Leandro, meu amigo

    Primeiro do que nada, obrigada, uma vez mais.
    Sabe, há muito, muito tempo, bem novinha, entreguei a minha vida inteirinha nas mãos de Deus, e assim tenho vivido contínuadamente, dirigida e abençoada por Ele.

    Tento contar as bençãos, mas elas são incontáveis, tantas são…
    Muito trabalho e muita luta também…mas, aos cerca de setenta, olho para o caminho percorrido de mão dada com o meu Senhor, e só tenho é mesmo motivo para ser profundamente grata e O adorar e louvar cada dia mais.

    Ele é FIEL!

    Então, assim sendo amigo, se há algo de bom, de psitivo em mim…é pura obra de Cristo. e não qualquer mérito meu.

    Por isso eu digo todos os dias e repito, SOLI DEO GLORI.

    Então o seu avô era de Rio Tinto?
    Interessante!
    É uma cidade muito conhecida no país.
    Fica no Norte de Portugal não muito distante da terra do meu avô paterno, Cabeceiras de Basto- Braga.

    O Jorge, meu marido conhece muito bem…pois ele criou-se lá bem pertinho.

    Alguns dados sobre Rio Tinto:

    “Rio Tinto é uma cidade e freguesia portuguesa do concelho de Gondomar e do distrito do Porto, com 9,5 km² de área e 47 695 habitantes (censo de 2001).[1] Densidade: 5 317,2 h/km².

    Rio Tinto tem o seu nome ligado ao rio que a atravessa, havendo mesmo uma lenda que explica o seu topónimo.

    No início do século IX, os Cristãos ganhavam terreno aos Mouros. Governava o Conde Hermenegildo Gutierres o território da Galiza até Coimbra, tendo como centro o Porto.

    Contudo, o Califa Abderramão II, com um poderoso exército, fez uma violenta investida, cercando a cidade do Porto. O Rei Ordonho II desceu em socorro do seu sogro, o Conde Gutierres, conseguindo afastar os Mouros e perseguindo-os para longe da cidade. Junto a um límpido ribeiro, travou-se a sangrenta batalha. Na memória do povo, ficou o sangue derramado que, de tão abundante, tingiu as cristalinas águas do rio, passando desde então a chamar-se Rio Tinto.

    O rio atravessa a freguesia sensivelmente a meio, numa orientação aproximada Norte-Sul. Nasce em Ermesinde, muito perto do limite norte da freguesia e é a principal, e quase única, linha de água que existe na localidade. Durante séculos, o rio forneceu à população água e peixe. As lavadeiras ganhavam a vida nas suas águas, proliferavam nas margens os moinhos, cujos moleiros disputavam com os lavradores a água das regas. Mais recentemente, durante a última década do século XX, o rio que corre em Rio Tinto foi alvo de um crime ecológico, tendo uma parte considerável da sua extensão sido entubada e enterrada a alguns metros abaixo da superfície do solo, de forma a facilitar a expansão urbanística do pequeno município.

    A povoação de Rio Tinto é anterior à criação do reino de Portugal. O lugar pertencia ao antigo julgado da Maia, e identificava-se pela existência de um antigo convento de Agostinhas, actual Quinta das Freiras, fundado em 1062. D. Afonso Henriques, após a criação do reino de Portugal, protegeu-o dando-lhe foro de couto a 20 de Maio de 1141.

    Creio que já dá para ficar com uma ideia acerca de Rio Tinto, não?

    Desejo-lhe um bom entardecer – aqui já é noite há muito tempo.

    Um abraço

    viviana

    18 de Novembro de 2010 22:27

  3. Olá a todos… Entrei aqui a procura de imagens de infância, pés descalços, etc.. E vi esse belo texto…

    E toda vez que leio algo assim (como acho que todos que leem), sinto falta da minha infância também… Simples… mas querida…

    Da minha parte não posso esquecer do quintal de minha casa, dos canudinhos de mamão que meu pai cortava pra soltarmos bolhinhas de sabão…

    Do pé de goiaba branca, rente ao muro da minha casa, que assim emendava com o pé de goiaba vermelha das minhas vizinhas e amigas… E eu passava pra casa delas..
    Como eu gostava de goiaba vermelha, como eu gostava de atravessar esse muro pra brincar do outro lado…

    Ainda posso sentir a dor dos dedões do pé, arrebentados por andar descalço na rua…

    Das amarelinhas que eu amava brincar e chegar no “céu”….

    Da bola de gude que queria brincar com meu irmão e que ele não deixava muito…

    ah… não dá pra listar tudo… por tanta riqueza que há.. por tanta nostalgia…

    Mas por fim, saudades de tudo isso, me recordando da minha mãe tão meiga, do meu pai tão presente… do meu irmão ali por perto…hora brincando, hora brigando.. (coisas de irmãos)

    Saudades disso tudo lendo esse texto…

    Hoje meu quintal ficou pra trás, minha infância, minhas lembranças, que nem posso viver e trazer de volta onde vivo… hoje no lugar uma horta com pés de alface, tenho uma jardineira em uma varanda em meu “caixote de pedra”.. (meu apartamento)
    Hoje estão longe de mim meus “personagens” da infância que tanto amo…

    Hoje fica na lembrança isso tudo…

    E as poças d’água de todas as crianças vão ficar também na lembrança….
    os pés molhados, as roupas respingadas e a alma feliz por tudo isso…

    Obrigada por me remeter à infância…
    Desculpe pegar carona na nostalgia..

    Abraços grandes…
    Teresinha Nolasco

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