Renas de Tróia – Sérgio Vaz*

Publicado: 23 de dezembro de 2010 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Para delírio dos comerciantes deste país, chegamos finalmente na semana das festas natalinas. Nem no dias das mães consegue-se vender mais do que o natal. É uma época para dar e ganhar presentes. Época que se mede o afeto das pessoas pelo tamanho do presente que se ganha. Ou dá.

Por onde quer que você ande você pode escutar os sinos badalarem, e de quebra, a cantora Simone importunando os nossos ouvidos com o chato daquele refrão: “então é Natal, então é natal, então é natal…”, como se a gente ainda não soubesse. Só de lembrar…

Para falar bem a verdade eu nunca gostei do natal, não sei bem o porque, mas não gosto. Acho que deve ser porque nunca tive natal na minha infância, tampouco na adolescência.

E também nunca gostei do velhinho de barba, o tal de Noel. Ele, pra nós, sempre foi uma pessoa extremamente deselegante, nunca aceitou o convite para visitar a nossa casa.

Dizem as más línguas que ele não gosta de criança pobre e tem medo de circular na favela. Prefiro o Ano novo.

Ninguém pode me culpar por não gostar do papai Noel. Todos que eu conheci tinham barba, cabelo e barriga falsa, e quase nenhum era velhinho. E na sua grande maioria homens desempregados à procura de bico para sobreviverem. Mais ou menos como em lanchonete Fast Food americana: gente que é paga pra sorrir, mesmo sem alegria no coração. Ninguém pode ser feliz ganhando o que eles ganham.

Dizem as más línguas que a figura do bom velhinho foi criado sob encomenda ao artista e publicitário Habdon Sundblom por uma grande empresa de refrigerante mundial. E Assim nascia mais um personagem americano que dominaria o mundo.

Não gosto desse clima natalino porque ele me soa falso. As pessoas me soam falso. E eu também sôo falso.
Por conta desse clima de falsa solidariedade vou ter que abraçar até quem eu não gosto, e ser abraçado por quem não gosta de mim. No natal a gente finge que ama e acredita que é amado. Nada mais triste.

Não é amargura, coisa de poeta que não tem chaminé, só não entendo o natal, esse “jeito americano de ser”, que as pessoas acreditam, mas que eu não tenho.

Não gosto do natal porque também é uma época que neva muito no Brasil, não suporto o frio, meu aquecedor está sempre quebrado.

Mas gostando ou não gostando, já é natal.

Mesa farta, mesa falta, em tudo quanto é casa. Em umas Cristo não se manifesta, em outras não foi convidado. Se puderem, tenham boas festas.

Ah, antes que eu também me “esqueça”: – Feliz aniversário, Jesus.

*Poeta, escritor e fundador do Sarau da Cooperifa.

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comentários
  1. Raquel Medeiros disse:

    Ah, antes que EU também me “esqueça”: – Feliz aniversário, Jesus.

    • É linda… Sérgio Vaz tem toda razão quando diz que o as pessoas se mascaram nestes dias que antecedem ao natal. Realmente, a gente finge que ama e finge acreditar ser amado! O mais importante desta data – mesmo que a historiografia moderna prove que Ele não nasceu, sequer em dezembro – é lembrar que há um Deus amoroso e bom que Ele faz aniversário… Oxalá deixassemos de comemorar as trocas de presentes e começassemos a trocar amor!! Ah, antes que EU também me “esqueça”: – Feliz aniversário, Jesus!

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