Arquivo de fevereiro, 2011

A Serra do Japi ainda existe?

Publicado: 23 de fevereiro de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Will Mingorance*

Os munícipes de Jundiaí conhecem bem a Serra do Japi e sabem da sua importância para a cidade, sendo ainda um remanescente da Mata Atlântica no interior paulista. A área que compreende a Serra do Japi é um total de 350 km quadrados, porém, desse total aproxidamente 192 km quadrados são tombados (o sentido empregado de tombar, nesse caso, se remete a registrar, isto é, geralmente se tomba ou registra um patrimônio importante para a cidade, o estado ou o país. Quando se tomba ou registra o patrimônio, ele fica protegido pelo órgão na qual foi registrado, não podendo sofrer nenhuma alteração ou depredação por nenhum cidadão ou instituição. Sendo assim, tombar um bem, significa proteger contra qualquer ação que possa destruí-lo).
Pela extensão existente, a Serra do Japi é muito importante para Jundiaí também para os munícípios vizinhos que estão ao seu redor: Cajamar, Cabreúva e Pirapora do Bom Jesus. Sua importância se estende, também, por ser contemplada com uma rica flora e fauna. Mas, a Serra do Japi é um enigma a ser debatido pela população de Jundiaí, que parece tão alheia às informações verdadeiras e claras que são escondidas com a lama escura, que jorra sem parar da gestão do PSDB na cidade há anos.
A primeira pergunta que nos cabe fazer é: por qual motivo a área total da Serra não é tombada? Será que existe alguma atividade irregular no interior da Serra?
Os animais da Serra do Japi passaram a dividir espaço com SPA’s, hotéis de luxo e condomínios, de acesso somente para quem possuí muito dinheiro. Mas, pra onde vai esse dinheiro? A quem pertence a Serra do Japi?
Não esperem respostas para essas perguntas meus caros leitores, pois elas são retóricas, afinal o dinheiro vai para os mesmos que são proprietários de tantos condomínios na cidade de Jundiaí, falando nisso, COMO CRESCEM A QUANTIDADE DE CONDOMÍNIOS EM JUNDIAÍ, HEIN!
Quem visita a Serra é deparado, infelizmente, com lixo e entulhos nas belas cachoeiras que lá estão, que afinal, poderia ser preservado se a Serra se tornasse um Parque Estadual Serra do Japi, de acordo com o projeto do Deputado Federal Pedro Bigardi, mas muitos são contra esse projeto e, assim, a Serra continua como está, porém existem interesses particulares, do meu ponto de vista, para que o projeto do Parque Estadual continue a ser barrado, sendo:

1º Caso o projeto venha a ser aprovado, a população terá maior acesso a Serra do Japi, mas lá estão alocados uma elite diferenciada, que acredito não querer ter contato com o restante da população, não sendo interessante para os “proprietários” da Serra desagradarem seus “clientes” abrindo as portas da Serra para toda uma população;

2º Talvez esse seja o principal motivo e mais sério, que infelizmente muitos não têm conhecimento. No interior da Serra do Japi existe uma grande concentração de cultivo de eucaliptos, isto é, uma grande área que nossos olhos não podem ver foi desmatada para a plantação e cultivo de eucaliptos. Mas, pra que acabar com uma área de Mata Atlântica para cultivar eucalipto? Simples, o eucalipto é utilizado para produção de medicamentos, papel e celulose, matéria-prima para as indústrias, chapas de fibras e MDF e lâminas. Destarte, o cultivo de eucalipto no Brasil é responsável por “US $ 20 bilhões de dólares para o PIB”, de acordo com os índices do EMBRAPA.

Não é necessário colocar fotografias para provar, afinal não há como os responsáveis acabarem com as plantações de eucalipto e reflorestar a Serra da noite para o dia, portanto, quem estiver interessado basta visitar o interior da Serra do Japi para se deparar com uma vasta área de eucalipto e troncos de eucaliptos no chão, sendo extraídos para exportação, além de dezenas de caminhões que trafegam a Serra cheios de eucaliptos. E pra quem vai o milionário dinheiro dessa produção? Se fosse para a receita de Jundiaí, nossa cidade não estaria como está.

Em uma matéria pelo Jornal Bom dia do dia 27/01/2011, publicou-se sobre a aquisição de jipes com valores de “R$ 500,00, com recursos do Governo Federal” e colocados na linha de frente da Serra do Japi Guardas Municipais, com a finalidade de proteger a Serra (leia aqui).
Essas ações são passíveis de dúvidas, assim como muitas ações existentes em Jundiaí, pois, essa linha de frente de “proteção” avançou os limites tombados da Serra, como o próprio prefeito informou. Além disso, cabe-nos refletir: Não seria essa ação uma forma de proteção para que as irregularidades e o próprio cultivo de eucalipto não parem?
Afinal, essa talvez seja uma forma de se maquiar uma proteção e deixar a população esquecer o projeto da construção de um Parque Estadual na Serra, que a protegeria realmente. Assim, a receita e os lucros continuam aumentando em detrimento da Serra do Japi e esse dinheiro não vem pra cidade. Então, vai pra quem?

*Acadêmico do curso de História da Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP.

Fonte: http://willmingorance.blogspot.com/

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O presente inacabado

Publicado: 20 de fevereiro de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

[para o meu grande amor, Raquel Medeiros]

Obrigado meu Deus, pelo doce presente que me deste… Mesmo ainda não estando concluída, é a melhor e mais linda obra de arte que meus olhos já contemplaram. Se não está pronta, por que agradeço? Sim, ela não está pronta, mas sou um privilegiado de ter a base, ou seja, tenho uma obra de arte em potencial. Agradeço por ter me ensinado a – não mais! – desdenhar do que não está pronto, porque o processo de construção não é tão belo quanto a obra exposta! E também pela maturidade concedida, pra que eu possa ver que me deste nada mais do que o essencial. E como disse Antoine de Saint Exupéry: “o essencial é invisível aos olhos!”, mas pode ser sentido pelo coração. Serei sempre grato por não ter me presenteado com uma estátua já pronta, pois sempre desejei a oportunidade de moldar uma. O amor é uma obra em perpétua construção, nunca está pronta. Como René Descartes, creio que a essência precede a existência, mas não creio que esta não possa ser lapidada, alterada. Por isso, ajuda-me a manter meu coração grato e me ensina a ver a beleza deste presente com seus olhos de amor, mesmo que ainda esteja inacabado!

Perdoem-me a simplicidade das palavras e a singeleza da gratidão. É que gratidão não se explica, se vive!

Leandro Possadagua [Co-autor deste Blog]

Pós-modernidade, a pluralidade e o Preconceito

Publicado: 20 de fevereiro de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Julio Cezar Nakasato*

“Orkutiando” por estes dias estive observando o perfil de várias pessoas dentro desta que atualmente é a maior rede social brasileira. Para aqueles que conhecem o Orkut sabem que existe um campo dentro da página de cada pessoa para que o usuário possa se auto definir. Observei que existe uma enorme dificuldade para as pessoas falarem de si mesmos, normalmente neste campo estão frases de autores consagrados, letras de músicas, pensamentos filosóficos, poemas e tantas outras coisas, mas dificilmente encontraremos alguém falando sobre si mesmo.

Quem somos? Se não me engano é a primeira pergunta das cartas enigmáticas recebidas por Sofia no clássico de Jostein Gaarder “O mundo de Sofia”, acredito que a dificuldade que Sofia teve para se auto definir é a mesma que a maioria de nós tem, existe uma dificuldade muito grande de falar de nós mesmos. Até pelo fato de nós, seres humanos, estarmos sempre em constantes mudanças comportamentais. Quantos de nós achávamos que conhecíamos determinadas pessoas e de repente elas tem atitudes totalmente contrárias aquelas que já estavam pré estipuladas em nosso pensamento, e quantas vezes nós mesmos somos surpreendidos por nossas atitudes, nós, humanos, somos seres extremamente complexos.

Se não conseguimos nem mesmo nos definir com facilidade, pois sempre estamos em constantes mudanças, devemos também parar para refletir sobre as nossas concepções e nossas construções sobre as outras pessoas. Vivemos em um mundo pós-moderno e globalizado onde novos grupos estão surgindo e cada vez mais novas perspectivas de pensamentos e novos costumes estão se fortalecendo, hoje é difícil falar em cultura local, pois a influencia de outros países e outras culturas através dos meios de comunicação principalmente da internet tem auxiliado na queda de costumes meramente locais e vem abrindo portas para a introdução de novas perspectivas dentro de praticamente todas as sociedades e de todas as áreas de pensamentos. Toda esta pluralidade no que tange a costumes, pensamentos, credos religiosos, tabus familiares, entre tantos outros, fazem com que vários pensamentos acabem por divergir, e é neste momento que precisamos entender nossa sociedade e exercitar a compreensão e a tolerância, pois dentro deste mundo diversificado o preconceito contra tudo o que se difere de nós, acaba, infelizmente, sendo algo muito normal, a intolerância contra o “outro” acaba sendo também uma das marcas de nosso tempo. O preconceito surge a partir do momento em que não somente vemos as diferenças, mas também as repudiamos como algo inaceitável. Precisamos compreender que nossa sociedade está em constantes alterações, assim como nós mesmos, sabemos quão difícil é nos auto definir, mas, infelizmente, para definir outras pessoas de forma negativa, na maioria das vezes, não encontramos dificuldade alguma.

Como estudante de história tenho visto autores e mais autores tentarem sem êxito criar uma teoria que conseguisse tornar a humanidade um pouco mais exata, os marxistas, os estruturalistas, os positivistas, são muitas as teorias que tentaram criar uma regra para as ações dos seres humanos em seu curso na história, neste sentido, eu realmente concordo com a nova história, que redescobre fatos, que problematiza o que supostamente já estava concreto, trazendo novas visões e novas perspectivas a serem estudadas. Precisamos assumir que o ser humano não segue regras, protocolos e teorias, não existem universalidades para nossa raça, precisamos compreender a existência de uma pluralidade de costumes, de pensamentos, de credos que estão muito além daquilo que nós podemos definir. Somente dessa maneira poderemos exercitar a tolerância e o verdadeiro amor, devemos compreender que o melhor para mim, nem sempre é o melhor para todos, devemos respeitar as opiniões alheias, pois dessa maneira só temos a crescer como cidadãos e principalmente como seres humanos.

*Acadêmico do curso de história da Universidade Federal da Grande Dourados/UFGD, Mato Grosso do Sul.

Meu compromisso com a vida

Publicado: 20 de fevereiro de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Ricardo Gondim*

Olho para o passado com lascas de nostalgia e pontas de melancolia. Caminhos que nunca trilhei hoje parecem bem mais fáceis. Amores que exigiram coragem voltam a me seduzir para me deixar ainda mais triste. Aventuras que nasceram de narcisismos e falsas onipotências reclamam explicações; como justificar tanto delírio? Não, não pretendo remontar passado. Desisto de qualquer tentativa de ressuscitar o que jaz sob o lajeado da decepção.

Para refazer meu compromisso com a vida, abandono o rigor de um humanismo idolátrico. Não idealizo as iniciativas ideológicas. Sei que toda instituição convive com o germe de sua própria inutilidade. Também não me prostro no altar do niilismo; descreio da capacidade humana de erguer-se pelos próprios cadarços. Meu existencialismo é frágil, carregado de suspeita. Minha religião, cheia de decepção. Minha ideologia agoniza debaixo dos escombros da modernidade.

Para refazer meu compromisso com a vida, largo na beira da calçada as metas-narrativas. Desconfio dos projetos globais. Incoerência entre discurso e prática me desesperam. A incapacidade de vertebrar o que acredito de coração me enoja. Criei cismas. Rio por dentro; é meu jeito de sobreviver aos ufanismos que tanto me irritavam no passado. Sei que preciso aniquilar os fantasmas que me deixaram com a sensação de ser um deus.

Para refazer meu compromisso com a vida, desisto de tentar levar a ferro e a fogo qualquer coisa. Erros me fizeram bem. Boas ações me arruinaram. Amigos me entristeceram. Desconhecidos me acolheram. Quando planejei, empaquei. Por outro lado, inesperadamente a vida deu certo sem planejamento. Sofri também com pecados. Paguei um alto preço por ser indolente. Mas, incrível, quando deixei para o dia seguinte o que deveria fazer hoje, foi bom.

Para refazer meu compromisso com a vida, quero ser leve como a pluma que escapou da asa do cisne, denso como o ruço que cobre a madrugada, escuro como a noite tropical sem lua, e transparente como o mar do Mediterrâneo. Hei de aprender a não discursar. Almejo ser mais enfático mas só em ternura; mais brando em afirmações. Pretendo rearrumar minha oratória. Quero voltar a olhar para o nada, como as crianças; a entrecortar frases com longas pausas, como os monges; a ritualizar os instantes, como os namorados.

Para refazer meu compromisso com a vida, espero envelhecer sem casmurrice. Acolher as doidices dos jovens, lembrando de como as minhas faziam sentido. Celebrar cada manhã como uma ressurreição. Aguardar o pôr-do-sol como uma grávida anseia pelo primeiro choro do filho. Plácido como um lago entre duas montanhas, espero encarar a morte. E que não reste nenhuma nesga de frustração em minha alma. E que eu descanse no sábado final com um sorriso maroto, sorriso de quem foi embora dizendo: valeu viver.

Soli Deo Gloria.

*Pastor da Igreja Betesda de São Paulo

Fonte: http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&sg=0&id=2276

Opinião

Publicado: 2 de fevereiro de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Engraçado! Hoje recebi a notícia, que um casal de amigos conseguiu uma bolsa de 50% num destes programas do Governo Federal, fiquei feliz. O engraçado nisso, é que ele sempre foi um ferrenho crítico do governo Lula, um daqueles que acha que o Brasil só perde com programas sociais… Meu amigo foi traído pela lógica do pequeno burguês, daqueles que acreditam que Fernando Henrique Cardoso e José Serra são os mais bem preparados para governar o país. Ledo engano! Lula estava certo: “Nunca antes na história deste país, se fez tanto pela educação pública!” Agora, com sua bolsa, meu amigo ruma feliz à Universidade Privada!

É comum ver pessoas – imbecilizadas! – bradarem contra os projetos sociais do Governo Federal, gente que não sabe o que é não ter como alimentar sua família. Na verdade, estas pessoas não dão o valor merecido ao Bolsa Família, porque nunca precisaram dele e como disse Frei Betto: “Só quem passou pelo sofrimento consegue enxergar o mundo pela ótica do oprimido”. Assim, tal projeto é visto, pela maioria destes, como um mecanismo para angariar votos e sustentar gente preguiçosa. É triste que não consigam ver além do próprio umbigo, aliás, o Narciso detesta o que não vem refletido do espelho. Não consigo me calar diante de comentários tão descabidos assim… E, Deus me ajude, a mudar de opinião sempre que preciso!

Leandro Possadagua

Drogas nas aldeias indígenas de Dourados, Mato Grosso do Sul

Publicado: 2 de fevereiro de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Thiago Leandro Vieira Cavalcante*

A reportagem do Fantástico deu visibilidade a um antigo problema dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, principalmente dos Kaiowá e dos Guarani.

Infelizmente, como era de se esperar, a Globo não tocou de maneira clara na ferida aberta que é a falta das demarcações das Terras Indígenas em Mato Grosso do Sul.

É sabido por todos que entre o século XIX e até a década de 1970, com ajuda e/ou omissão do Estado brasileiro e do Estado de Mato Grosso, os Kaiowá e os Guarani sofreram um dos maiores esbulhos territoriais já registrados no Brasil.

Todos os problemas desses povos, inclusive o das drogas e a violência, estão diretamente ligados à falta de terras para que possam viver com bem-estar, garantindo sua sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições, conforme previsto no art. 231 da CF de 1988.

O art. 67 da CF de 1988, determinava que a União demarcasse as terras indígenas em no máximo cinco anos, até hoje isso não foi concluido em Mato Grosso do Sul.

A solução dos problemas dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul só será possível quando houver terras na quantidade necessária para que todos vivam conforme suas tradicições.

O assitencialismo dos governos estadual e federal é necessário para o momento, mas não passa de paliativo. Quem realmente se importa com os povos indígenas defende as demarcações para já.

*Doutorando em história pela Universidade Estadual de São Paulo/UNESP. Atualmente, leciona na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/UEMS, desenvolve pesquisas na área de História Indígena.