Arquivo de maio, 2011

Thiago Leandro Vieira Cavalcante*

Na última semana o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promoveu em Dourados um seminário sobre a questão fundiária indígena em Mato Grosso do Sul. Lideranças indígenas guarani, kaiowa e terena, assim como ruralistas estiveram presentes no auditório da UNIGRAN para expor seus pontos de vista sobre a questão. O fortíssimo aparato de segurança revelava a tensão que o tema carrega. As confortáveis caminhonetes com que chegavam os ruralistas e os ônibus fretados com que chegavam os indígenas revelavam a desigualdade de condições para atender ao convite do CNJ.

Das muitas falas equivocadas e preconceituosas abertamente propagadas pelos ruralistas e seus aliados, quero destacar duas. Além da característica truculência, chamou atenção na fala do governador André Puccinelli a afirmação de que a verdade é uma só. Também chamou atenção o diluído discurso da improdutividade das terras indígenas e de que as novas áreas que podem vir a ser demarcadas também serão improdutivas.

Essas duas falas revelam o ranço etnocêntrico com o qual as elites estaduais pensam a questão indígena e a de suas terras em especial. Não é preciso ser historiador, antropólogo, advogado ou qualquer outro profissional para saber que a verdade é relativa, para isso basta ter um mínimo de bom senso e sensibilidade. A verdade é relativa a quem a sustenta. Por tanto, a verdade para os indígenas certamente não é a mesma verdade defendida pelo governador.

Da mesma forma que não há uma única verdade, também não há uma única forma de se aproveitar a terra. De fato, falta assistência técnica e condições para que os indígenas cultivem mais alimentos em suas terras. No entanto, é pouco provável que eles queiram transformá-las em latifúndios monocultores, como é o caso da maioria das terras tradicionais em posse dos ruralistas. A relação que os indígenas mantêm com a terra não se limita à extração de meios para a sobrevivência física, vai além, a terra também é fonte de reprodução cultural e social, é morada de seres espirituais e muito mais.

As duas visões aqui criticadas têm suas raízes no etnocentrismo colonialista que ainda domina em Mato Grosso do Sul. Enquanto as pessoas envolvidas na questão não se esforçarem para compreender e respeitar a alteridade será difícil imaginar que se pode chegar a uma solução pela via do diálogo, como propunha o CNJ.

Os ruralistas e seus aliados ganhariam muito se debatessem a questão de forma qualificada, apostando no diálogo e abandonando o discurso do bandeirante ressentido. Hoje de tão frágeis, seus discursos são facilmente desconstruídos, tanto é que no judiciário as causas indígenas têm prevalecido, principalmente na esfera dos egrégios tribunais.

* Doutorando em História pela UNESP de Assis-SP.

Anúncios

Cine-PET [Universidade Federal de São Paulo]

Publicado: 30 de maio de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

2º Semana de Arqueologia – MAE/USP

Publicado: 28 de maio de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

O Evento

A I Semana de Arqueologia do MAE-USP ocorreu em abril de 2007 e foi o resultado de um projeto de dois anos dos alunos do Programa de Pós-Graduação do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. O objetivo era promover uma maior interação entre as pesquisas dos alunos da instituição, além de trazer novas discussões e idéias. O evento cumpriu com o seu papel e excedeu as expectativas trazendo professores, alunos e pesquisadores de outras instituições. Por fim, parte do conteúdo dessa semana de apresentações gerou um suplemento da Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia.

Portanto, entre os dias 30 de maio e 03 de junho de 2011, a II Semana de Arqueologia do MAE-USP trará mais uma vez para a instituição, o debate e o intercâmbio das pesquisas realizadas pelos alunos de pós-graduação do Museu de Arqueologia e Etnologia e de outras instituições. Através de palestras, comunicações, mesas redondas e apresentações de pôsteres, os participantes poderão contribuir com discussões, troca de informações e experiências em temáticas voltadas para a arqueologia, etnologia e museologia. É um momento de atualização para estudantes, pesquisadores e profissionais, almejando fomentar a divulgação e a consolidação da área.

Contando com convidados brasileiros e estrangeiros de renomadas instituições, que estarão presentes em palestras e mesas redondas temáticas, a II Semana de Arqueologia também contará com a I Mostra Audiovisual Internacional em Arqueologia no Cinusp, que visa divulgar a produção audiovisual em Arqueologia no Brasil. Haverá também uma exposição de fotografias que permitirá ao participante de compartilhar uma boa foto registrada em uma etapa de campo.

Comissão Organizadora

Coordenadora

Profa. Dra. Maria Isabel D’Agostino Fleming

Comissão Organizadora

Eduardo Kazuo Tamanaha

Fábio Guaraldo Almeida

Fernando Ozorio de Almeida

Irmina Doneux Santos

João Estevam de Argos

Lorena Garcia

Márjorie Lima

Patrícia Fischer

Regina Helena Rezende

Rodrigo Suñer

Silvio Luiz Cordeiro

Tatiana Bina

Colaboradores

Ana Paula Tauhyl

Filippo Stampanoni Bassi

___________________________________________________________________________

Fonte: http://www.semanadearqueologia.com/

Um nordestino (Severino)

Publicado: 27 de maio de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Jairo Periafricania*

Um tal de Severino cabra da peste
Foice, facão cortava cana no Nordeste
Calor insuportável tantas vezes passou mal
Trabalhava feito cão por um misero real

Uma pa de irmão sem nenhuma condição
Feito pai e mãe tudo ia ser pião
Cidade grande um sonho de menino
Retirante, imigrante Nordestino

Eu vou fazer mãe o que Tonho fez
De tudo que ganhar mando um pouco todo mês
Não tem jeito vai ter que ser assim
Por tudo por nós sempre até o fim

Ouça o seu pai menino o mundo engana
Não vi o dilúvio mas pisei na lama
Se vai atrás do Tonho cabrunco endiabrado
Dizem que matou fi di Zeca esfaqueado

Teimando até o final o que? Nem ouviu!
Juntou tudo que tinha pos num saco partiu!
Tenho certeza que Deus vai me ajudar
Parto na tristeza, mas um dia vou voltar

Eu vou mais eu vou voltar!
Pode acreditar um dia vou volta!
Eu vou mais eu vou voltar!
Hey! Seis tem que confiá!
Eu vou mais eu vou voltar!
Na fé, no peito um patuá!
Eu vou mais eu vou voltar!
Éh! Eu vou voltar!

Cavalo pau de arara escolheu seu caminho
Pronto pra lutar seguindo seu destino
São Paulo capital uma vida melhor
Lugar feito sertão não existe pior

Acredito sei que vai dar certo
Um trabalho digno salário honesto
Já longe na estrada quanta emoção
Verde, verde ao contrario do sertão

Sonhando acordado olhando o horizonte
Três dias de viajem parece que foi ontem
Estranho céu azul começou mudar
Uma nevoa escura tomou seu lugar

Multidão empurra, empurra desceu no tiete
Vixe quanta gente só vendo pra crer!
Coração mil grau foi pedir informação
Endereço vou pra La zona sul capão

Depois de algum tempo ele chegou
Rezei Padim Ciço me abençoou
Mas o tempo foi passando só pagando mico
Vez em quando um mascate um bico

Eu vou mais eu vou voltar!
Já era não posso fracassá!
Eu vou mais eu vou voltar!
Tonho falo que só sabe chegá!
Eu vou mais eu vou voltar!
Mãe eu to bem! Aí como é que ta?
Eu vou mais eu vou voltar!
eu vou voltar!

Por outro lado Tonho varias mina cheio de camarada
Sempre com um sorriso estampado na cara
Virava e mexia apresentava um plaque
Ai Severino ta precisando de que?

Mostra pra que veio acha que é zueira
Trampo que se qué bonitão vai pra biqueira
Leal competente disso não duvido
Alias pra quer serve um amigo

Mas antes que me esqueça ta aqui um presente
Que é bala na agulha e uma pa no pente
Se queria então é aliado do patrão
Vacilou sem boi é finado malandrão

Na escola do crime se formou
Muita treta quem viu não acreditou
Atento ligeiro na mais pura malicia
No acerto ou na bala depende da policia

Certa ocasião um doido atravesso
Muito loco o puto me tirou
É só questão de tempo não vou pagar comedia
Pra Pa Pau! A primeira tragédia.

Eu vou mais eu vou voltar!
Que ta loco? Agora vou ficar!
Eu vou mais eu vou voltar!
Que já era! Aqui é meu lugar!
Eu vou mais eu vou voltar!
A e Tonho! Vou te catá!
Eu vou mais eu vou voltar!

Então se liga Tonho sua cria foi em vão
Dizem por ai que ele quer ser patrão
Se aliou com os cara La no morro
Zé povo apavorado ta pedindo socorro

O que deu nesse cabra eu não sei
O que tem eu que dei o que sabe eu ensinei
Mas ta firmão to armado até os dente
Vamo vê quem é quem quando vim bate de frente!

A hora é chegada não falta munição
Na calada jaz um Tonho do Capão
Morto e traído pelo próprio irmão
Tudo que quis o que fez foi em vão

Só que Severino não sabia em plena luz do dia
Um disparo de onde vinha não se via
Certeiro no peito foi fatal
Na mente a família o canavial

Foi o filho do Tonho ali mesmo da favela
Fi de gadim a mãe num dava guela
Pobre Severino do que adiantou
Seu próprio sobrinho ainda muleke se vingou

Agora qual será a sua tragetoria
Com fama na favela conquistou sua gloria
Mas a e…
Isso… é uma outra historia.

*Escritor, poeta e rapper. Atua como arteducador e é membro do Sarau da Cooperifa.
_________________________________________________________________________________

Fonte: Blog Jairo Periafricania
Disponível em: http://www.jairoperiafricania.blogspot.com/

A construção visual do Novo Mundo

Publicado: 26 de maio de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Palestra:

A construção visual do Novo Mundo. Gravuras dos séculos XV e XVI.

Palestrante: Profa. Flávia Galli Tatsch (Doutorando em História Cultural na Unicamp)

Dia 01 de junho de 2011

Horário: 18h00

Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP – Campus Guarulhos – Sala 8

Haverá certificado aos participantes! (Inscrições no local)

Sai a primeira Revista Índio

Publicado: 24 de maio de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Recebi a grata notícia do lançamento da primeira Revista ÍNDIO, que foi oficialmente lançada no último dia 5 de maio na Livraria da Vila, em São Paulo.

Revistas assim dão sentido às reivindicações dos povos indígenas por igualdade e reconhecimento de sua cultura, são megafone dado aos povos que não tem direito e oportunidade de expressão. Lembrei-me com carinho de minhas vistas às aldeias de Mato Grosso do Sul, acompanhado de antropólogos e amigos.

Senti orgulho de fazer parte daqueles que amam e respeitam a cultura indígena. Fica aqui, meu sincero agradecimento à Revista Índio, foi um prazer conhecê-la.

Conheça a revista ÍNDIO, indique para seus amigos. Vale a pena se propor a conhecer um Brasil que anda esquecido…

Fonte: Revista Índio
Disponível em:
http://revistaindio.wordpress.com/

Felicidade

Publicado: 24 de maio de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

As coisas não nasceram para dar certo, somos nós é que fazemos as coisas acontecerem, ou não.

Acredito que a gente tem que ter um foco a seguir, traçar metas, viver por elas. Ou morrer tentando. Jamais queimar etapas e saber reconhecer quando é a sua hora.

O Acaso é uma grande armadilha e destroi os sonhos fracos de pessoas que se acham fortes.

Não passar do tempo e nem chegar antes. Preparar o corpo, o espírito, estudar o tempo o espaço. Não ser escravo de nenhum dos dois.

Observar as coisas que interferem no seu dia e na sua noite. E saber entender que há aqueles sem sol e sem estrelas e que a vida não deve parar só por isso..

Ser gentil com as pessoas e consigo mesmo. E gentileza não tem nada a ver com fraqueza, pois, assim como um bom espadachim, é preciso ter elegância para ferir seus adversários.

O que adianta uma boca grande e um coração pequeno? Nunca diga que faz, se não o faz.

Ame o teu ofício como uma religião, respeite suas convicções e as pratique de verdade, mesmo quando não tiver ninguém olhando. Milagres acontecem quando a gente vai à luta.

Pratique esportes como arremesso de olhar, beijo na boca, poema no ouvido dos outros, andar de mãos dadas com a pessoa amada, respirar o espaço alheio, abraçar sonhos impossíveis e elogios à distância. E,, em hipótese alguma, tente chegar em primiero. Chegar junto é melhor, até porque, o universo não distribue medalhas nem troféus.

Respeite as crianças, todas, inclusive aquela esquecida na sua memória. Sem crianças não há razão nenhuma para se acreditar num mundo melhor.

As crianças não são o futuro, elas são o presente, e se ainda não aprendemos com isso, somos nós, os adultos, é que tiramos zero na escola.

Ser feliz não quer dizer que não devemos estar revoltados com as coisas injustas que estão ao nosso redor, muito pelo contrário, ter uma causa verdadeira é uma alegria que poucos podem ter.

Por isso, sorrir enquanto luta, é uma forma de confundir os inimigos. Principalmente os que habitam nossos corações. E jamais se sujeite a ser carcereiro do sorriso alheio.

Não deixe que outras pessoas digam o que você deve ter, ou usar. Ter coisas é tão importante como não tê-las, mas é você quem deve decidir. Ter cartão de crédito é bom, porém, ter crédito nele tem um preço.

Se possível, aprecie as coisas simples da vida, vai que no futuro… Adeus pertences.

Esteja sempre disposto ao aprendizado, e não se esqueça que, quem já sabe tudo é porque não aprendeu nada.
As ruas são excelentes professoras de filosofia, pratique andar sobre elas.

Procure desvendar as máscaras do dia a dia, pois o segredo está no minúsculo – assim como um belo espetáculo do crepúsculo-, no pequeno gesto das formiguinhas esconde a grandeza a ser seguida pela humanidade.

Tenha amigos. Se não tem, seja. Eles virão.

Felicidade não se ensina, é uma magia, e o segredo está na disciplina de uma vida sem truques e sem fogos de artifícios.

E não acreditem em poetas. São pessoas tristes que vendem alegria.

Sérgio Vaz [Escritor, poeta e fundador do Sarau da Cooperifa]