Restart Gospel, felomenal!

Publicado: 27 de junho de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

Eu não tenho nenhuma dúvida que o próximo sucesso no Brasil será algo como “Restart Gospel” (felomenal!). Estamos caminhando a passos largos para uma situação em que qualquer prêmio no âmbito da cultura de massas, dentro da qual está a maior parte da cultura de entretenimento, deverá ser um GPS para mata-burros.

A música Gospel no Brasil é algo deplorável. Não pelo fato de ser música, pois não é. Mas por vir do meio evangélico que, como se viu na “quinta feira do ódio” em São Paulo, é o campo no qual o mau gosto, a total desinformação e o preconceito gerado no obscurantismo pode atrair tudo que representa a mais bárbara das barbáries. Num lugar cheirando a enxofre qualquer som perde sua condição de música.

Mas, sem enxofre, só com ignorância mesmo, também a música vinda da cultura de massas se deteriora no Brasil. Assim, Restart, o existente, ainda não Gospel, é o símbolo do que Rita Lee classificou bem com esta sugestão: caso algum pré-adolescente escute isso, devemos trancá-lo na geladeira. Eu acrescentaria: sim, na geladeira, contanto que seja uma que não vamos abrir durante um bom tempo.

Mas, como sei que filósofo é uma pessoa que, por lidar com conceitos, facilmente se apega a preconceitos, eu não quis fazer o que alguns fizeram no tempo dos Mamonas – escutar e ver só depois deles mortos e, então, descobrir que eram como um Adoniran Barbosa da juventude – gênios do espelho da cultura popular do ABC paulista. Sendo assim, tentei ver Restart – na TV, claro. Fiquei vendo um programa inteiro deles, tentando arrancar alguma nota musical ou alguma lírica original. Nada. Barulho. Apenas barulho. Letra? Nem as de sopinha.

Vendo aquilo ali, imaginei logo que o melhor casamento, para poder haver uma superação, seria sua união com o mundo evangélico. Aí sim, teríamos produzido aquilo que nem mesmo um esfíncter de javali já viu passar.

Por que estamos vivendo isso? Como que chegamos, quanto ao que denominamos de cultura de massas (como ensinado por Alfredo Bosi), que antes era representada pelos Chacrinhas e Bolinhas da vida, ao que agora não pode representar nada que ultrapasse o mero uso do cerebelo? O que a juventude que vê Restart e que curte música Gospel brasileira está consumindo é apenas o grunhido de um animal não inventado e que, certamente, já existe. É o som do fracasso do nosso ensino médio. É a pentagrama que não tem mais penta nenhuma, sobrando só o alimento dos tais cantores. É o sinal dos exames do PISA, que mostram o Brasil, já há quase duas décadas, nos últimos lugares, o que revela a juventude mais incapaz do Planeta! Sim, temos mostrado uma incompetência nos exames internacionais para estudantes que revelam que nossa juventude é a mais imbecilizada da Terra.

Agora, falando em PISA, já faz tempo que estamos perdendo ali. Portanto, muitos desses idiotas detectados nos exames, já podem estar no mercado de trabalho e, um aviso: em setores de comando de nossa sociedade. Por isso mesmo, se você vai a um bom hospital, com um braço trincado, mais de 60% dos médicos residentes ali não consegue distinguir se você tem uma luxação ou uma quebradura grave. Restart Gospel – sim! É Restart Gospel.

Num lugar assim, cresce a homofobia, os Malafaia, a corrupção política impune, os senadores e deputados que perdem todo dia carteira de motorista por dirigirem alcoolizados e, enfim, um programa educacional governamental que pulveriza recursos, pois atira para todo lado. Eis o mundo no qual ser culto virou algo deplorável como a Veja e o tresloucado do Denis Rosenfield. Num país assim, sem brincadeira, temos de confiar no Tiririca. Ele ainda é do tempo que cultura de massas se fazia com a escolinha do professor Raimundo. Ou seja, ele pode fazer alguma coisa, sim, pois já pertence ao passado que foi melhor.

© 2011 Paulo Ghiraldelli Jr. filósofo, escritor e professor da UFRRJ.

PS: Não pensem que escrevi isso sabendo que havia, mesmo, de fato, Restart Gospel. Existe! Fujam para Plutão. Ao menos lá, não sendo Planeta ainda, não há risco de haver cidadãos. Pois o que mata é a cidadania. Jamais poderíamos ter concedido cidadania a certos elementos humanos. No Brasil, demos cidadania a todo tipo de bactéria e, então, temos aí hoje, Restart Gospel e, enfim, Restart.

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Fonte: Blog Paulo Ghiraldelli Jr.
Disponível em: http://ghiraldelli.pro.br/2011/06/27/restart-gospel-felomenal/

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