Arquivo de agosto, 2011

Meu véio pai

Publicado: 16 de agosto de 2011 por Leandro Possadagua em Uncategorized

13 de março de 1924. Fazenda Campanário, Mato Grosso. Nesse dia nascia o menino Alexandre, filho de um trabalhador paraguaio e de uma dona de casa meio argentina meio índia. Era o tempo da erva mate em Mato Grosso, dos cavalos gordos e bem encilhados, das moças bonitas (moças mesmo) dos bailes e das serenatas após um dia inteiro de trabalho, da fartura de alimento e de trabalho. Era o tempo do piripipi e do 44, em que a palavra tinha muito valor. Andar armado não era sinônimo de bandidagem. “No tempo em que aqui era Mato Grosso, não esse matinho aí”, como diria esse mesmo menino uns setenta, oitenta e poucos anos mais tarde.

O menino cresceu, viveu bons e maus momentos. Paraguai e Brasil eram quase a mesma coisa naqueles espaços de mato grossos. Em um dos maus, ou talvez bons, momentos deixou a família e passou a viver no Chaco paraguaio, no pantanal mato-grossense, em várias paragens. Já meio jovem meio adulto, andava pelas bandas de Dourados. Era 1951. Trabalho de derrubada de mato, que ainda era grosso, trabalho com erva, com roças, bailes, serenatas. Em terras da colônia, o tempo parecia andar devagar. Nessa época, “as moças perguntavam: quem é esse que vem chegando ai? Esse aí é o Alexandrão! Andava bem vestidinho, cavalo bom, gordo, alforje, bota, chapéu bom”, seriam palavras que esse tal Alexandrão pronunciaria chorando anos mais tarde ao segurar nas mãos as fotos tiradas por Potenciano Ribeiro em frente à Casa Brandão e à Casa A Sombra da Tarde, em Dourados.

Ainda como Alexandrão, casou, teve dois filhos. Separou. Casou novamente. Teve mais três filhos. Continuou andando. Saindo e voltando para Dourados. Benitez, Ortiz, Barrios, eram os parentes sempre visitados nestas terras.

Maio de 1991. Deixava com a última mulher e filhos a fazenda Passa Tempo (sim o tempo! Desde aí parece ter passado tão rápido!), em direção a Dourados, mais uma vez. Foi aí que viveu seus últimos anos. Mudanças na família, nos amigos, no trabalho. Mas, ao longo dos 20 anos seguintes as mudanças mais sentidas foram as do próprio corpo. Foram vinte anos de bons e maus momentos novamente. Só que nesses últimos anos, já não era mais o mesmo. “Hoje alguém pergunta: quem é esse daí: ah, esse é um paraguaio veio que tem aí” falava dando risadas. Algumas coisas não mudaram: tereré quase o dia inteiro, locro paraguaio (tipo de sopa com canjica e carne) todo domingo, música paraguaia…

11 de janeiro de 2011, a maior mudança. O Paraguaio Véio mudou-se novamente. Estava inquieto por aqui. Só que desta vez voltou sozinho. Foi para outra paragem, onde, o mato é grosso, os bailes ainda existem, os cavalos estão gordos. Já não é mais o Paraguaio Véio, voltou a ser o Alexandrão…

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Estas foram algumas palavras que brotaram salpicadas de saudade, de um sentimento de vazio criado porque tudo aconteceu tão rápido.

14 de agosto de 2011. É o primeiro Dia dos Pais que não tenho o meu pai por perto.
O meu caminho, também de idas e de vindas, de bons e maus momentos, ainda estou a fazer. Um dia também irei voltar. Irei conhecer outras terras. Irei novamente encontrar o menino Alexandre, o Alexandrão, o Paraguaio Véio, o meu pai.

Homenagem a Alexandre Fernandes Bairro, do filho Carlos Barros Gonçalves

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Familia awá. Las mujeres awás a menudo cuidan de crías de monos dándoles de mamar

El 9 de agosto es el Día Internacional de la ONU para los Pueblos Indígenas. Para conmemorarlo, Survival International presenta nueve hechos poco conocidos sobre los pueblos indígenas.

1) Hay más de 100 pueblos indígenas aislados en el mundo. Algunos viven a menos de 100 km de distancia de Machu Picchu, la atracción turística más importante de Perú.

2) Es probable que los indígenas del valle de Baliem en Nueva Guinea desarrollasen la agricultura mucho antes que los antepasados de los europeos.

3) Los “gitanos del mar” moken, del mar de Andamán, han desarrollado una capacidad única para enfocar la vista debajo del agua, para poder sumergirse en busca de comida. La visión de los niños moken es un 50% mejor que la de los niños europeos.

4) Se cree que el pueblo indígena sentinelés vive en las islas Andamán desde hace unos 55.000 años.

5) Una de cada seis lenguas que se hablan en el mundo viene de Nueva Guinea.

6) Los pueblos indígenas desarrollaron algunos de los alimentos básicos del mundo. La mandioca (yuca o cassava), el maíz y las patatas son producto de la agricultura indígena.

7) Los cazadores hadzas de Tanzania usan el canto de un pájaro africano para encontrar el camino hacia las colmenas de abejas en los árboles baobabs.

8 ) Las mujeres awás de Brasil cuidan de crías de mono huérfanas dándoles de mamar.

9) Se cree que la lengua de los sanadores kallawayas de Bolivia, que aún se habla hoy en día, era el idioma secreto de los reyes incas.

¿Te han gustado? Aquí van nueve más:

10) A lo largo de milenios, los pueblos indígenas han desarrollado extraordinarias habilidades para la supervivencia. Un cazador de la Amazonia puede imitar a un depredador para asustarlo y hacer que se acerque a otro cazador, o copiar la llamada de un animal hembra en celo para atraer a otros machos.

11) Puede que los pueblos bosquimanos del sur de África hayan vivido allí durante 70.000 años o incluso más. Estudios recientes sugieren que el código genético de los bosquimanos está más cerca de nuestros antepasados comunes que el de ningún otro ser humano.

12) En temporadas de sequía, los bosquimanos almacenan agua bajo tierra en huevos de avestruz vacíos sellados con cera de abeja.

13) De las 7.000 lenguas del planeta, 4.000 de ellas pertenecen a pueblos indígenas.

14) Los cazadores de águilas kazajos de Mongolia occidental tienen un vínculo tan fuerte con sus águilas que duermen junto a ellas por la noche y les dan de comer de su mano durante un mes cuando aún son jóvenes.

15) Los pueblos indígenas poseen conocimientos ecológicos detallados. Saben cosas que nosotros desconocemos. Por ejemplo, los shuares de Ecuador usan al menos cien especies de plantas distintas para los males de estómago.

16) La última hablante de la lengua bo de las islas Andamán, que tenía 55.000 años de antigüedad, murió en 2010.

17) El tsunami de 2004 no afectó a los pueblos indígenas de las Andamán. Cuando vieron que el mar se retiraba, se refugiaron inmediatamente en las zonas elevadas.

18) El curare, un veneno vegetal desarrollado por los indígenas de América del Sur para inmovilizar a sus presas, se utiliza ahora en la medicina occidental como relajante muscular. Es lo que hace posible la cirugía a corazón abierto.

El director de Survival International, Stephen Corry, ha declarado hoy: “La conmemoración anual de Naciones Unidas es una ocasión importante para que el mundo reconozca a los pueblos indígenas y su derecho a la supervivencia y la autodeterminación. Survival International ha publicado nueve hechos poco conocidos coincidiendo con el 9 de agosto, para contribuir a la comprensión de y el respeto a los pueblos indígenas y su impresionante contribución a la diversidad de la humanidad”.

Fonte: Survival Internacional
Disponível em: http://www.survival.es/noticias/7564